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Cristina Silveira

Consumismo infantil

Após assistir ao premiado documentário Muito além do peso posso garantir que qualquer pessoa, ao assisti-lo e que tenha o mínimo de sensatez, realizaria uma reflexão sobre os valores contemporâneos concernentes ao consumismo na infância.

 

O consumismo infantil, tema principal do documentário, é abordado de forma direta e clara. E apesar de vivenciarmos cotidianamente algumas situações mostradas no documentário, é chocante quando nos deparamos com as cenas escancaradas no vídeo. O que parece é que ficamos hipnotizados e alienados diante das propagandas publicitárias, sem a noção do quanto elas são nocivas para nossas crianças que ficam a mercê dessa indústria infantil perversa, através da televisão e outros meios de comunicação.

 

Esse vídeo é um alerta para que os pais e responsáveis se atentem para os perigos do consumo que rondam nossas crianças. Perigos pensados estrategicamente pela indústria e suas sedutoras e criativas campanhas publicitárias, que fazem pesquisas de interesse do seu publico alvo, por idade, para entenderem como poderão abarcar o publico infantil e vender mais e mais os seus produtos.

 

Diante desse massacre industrial e publicitário, as crianças ficam indefesas, sem proteção e se vem seduzidas pelos gigantes do consumo, que aproveitam do grande tempo que os pequenos ficam em frente à televisão para atacarem com suas propagandas direcionadas e bem elaboradas, incutindo no inconsciente coletivo das crianças falsas necessidades e desejos. E dessa forma, acabam por terem sucesso no seu intuito de vender e aumentar o consumo infantil a cada dia mais.

 

O problema do consumismo infantil é um dos mais graves que a humanidade enfrenta. É um brutal desrespeito usar um ser indefeso, que não atingiu o nível de discernimento para fazer escolhas, e manipula-lo. Usam sistemas repetitivos, com impacto emotivo sobre os produtos. Por exemplo, imagens que transmitem para a criança que se ela não tem um determinado brinquedo, ela esta fora do circulo, da turma. Passa então a sensação de que a criança fica isolada dos amigos e da sociedade se não tiver aquele brinquedo. Com isso, as crianças exigem o brinquedo ou o produto mostrado, deixando os pais reféns e sem ação contra essa estratégia de marketing.

 

Entende-se por consumo, desde a compra excessiva de roupas, brinquedos e sapatos, ate a compra de comidas e fast-food.  Esse consumo exacerbado gera mais consumo, que e o que chamamos de Hiperconsumo, ou seja, organizar a vida em torno do consumo. Esse fato: organizar a vida em torno do consumo significa uma mudança de valores. Mudança de valores humanos. Existem pais que são capazes de fazer empréstimos astronômicos em bancos, para bancar festas para seus filhos, comprar carros ou simplesmente para oferecer uma viagem ao exterior, porque os filhos exigiram, ou porque quer que eles tenham o que os seus colegas exibiram. Ou seja, que valores são esses, que não ensinam aos filhos o que é ter e o que é ser? Que valores são esses que impulsionam um consumo que foge as condições da família e quem sabe, aos verdadeiros desejos dos seus filhos?

 

Portanto, devemos fazer uma reflexão mais ampla de como a publicidade dirigida à infância, viola os direitos da criança, que de mãos dadas com o hiperconsumismo desencadeia problemas ambientais, econômicos e sociais.

 

Mas o que fazer?

 

As famílias devem repensar não só o uso da televisão pelos seus filhos, mas devem repensar toda uma questão de valores que esta sendo colocado em pauta. E a partir daí, firmado os valores, os pais devem conduzir a educação dos filhos nesse caminho. Qual e o valor da família? Consumir, comprar?  TER ou SER? 

Valores como sustentabilidade, consciência ambiental, vão na contramão do consumismo.

Só para dar um alerta: Um austríaco, sobrinho de Freud, Edward Bernays, foi um dos grandes criadores do Marketing mundial e dizia o seguinte: “Se você projetar na mente de uma pessoa que ela precisa de alguma coisa, aquilo vai ficar lá, e a pessoa não percebe”.  Ou seja, já estamos impregnados!

 

Fica a dica! 

 

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

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