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Cristina Silveira

Agressão psicológica

A definição formal para a agressão psicológica seria:

“É um tipo de agressão que visa primeiramente afetar o indivíduo psicologicamente, ficando a violência física em segundo plano. É uma violência que ocorre sempre em uma relação desigual de poder, em que o agente exerce autoridade sobre a vítima, sujeitando-a a aplicação de maus tratos mentais e psicológicos de forma continuada e intencional, que pode deixar cicatrizes psicológicas permanentes. Pessoas que sofrem a tortura psicológica muitas vezes precisam de tratamento para poder superar o trauma.”

Mas... E a agressão psicológica em crianças, existe?  Existe sim! Esse tipo de agressão pode ser realizada na escola e na própria família da criança! 

 

Dentre diversas publicações sobre o assunto, a “American Professional Society on the Abuse of Children” (APSAC) elaborou um guia prático para fornecer pistas de reconhecimento das formas assumidas por essa violência: 

*Rejeição: as necessidades imediatas da criança não são reconhecidas como legítimas, não são valorizadas; há uma diferença expressiva no modo de tratamento entre a criança que não é reconhecida em comparação às outras;

 *Denegrir/difamar: pode estar associado à rejeição; o ato de depreciar a criança publicamente é uma manifestação do adulto sob forma de humilhação pública; está no uso de qualificação como apelidos que ridicularizam, inferiorizam e/ou comparam comportamentos de outra(s) criança(s);

*Terrorismo: “clima” especialmente ameaçador, atinge a segurança da criança, sempre supondo o comportamento imprevisível do adulto; o terrorismo se caracteriza por ameaças de abandono, castigos, exigências irreais para a criança, crises de cólera excessiva e imprevisível;

*Isolamento / confinamento: impedimento da criança de se relacionar, brincar, ter amigos, enfim, participar de atividades comuns de criança em casa ou na escola;

*Indiferença frente às demandas afetivas da criança: contrária à rejeição que é explícita – ativa – a indiferença se manifesta por um comportamento passivo de negligência, indiferença às necessidades afetivas e de relacionamento da criança;

 

O bullying escolar seria certamente considerado uma agressão psicológica contra as crianças e adolescentes, e claro, das mais perversas!

 

Contudo, existe uma agressão psicológica muito mais próxima a algumas crianças e que são causadas por quem deveria protegê-la: vindo da própria família.

Isso ocorre quando o adulto responsável por ela, constantemente deprecia a criança, bloqueia seus esforços de auto aceitação, causando-lhe intenso sofrimento psíquico. Aqui podemos citar duas formas básicas de abuso: negligência afetiva e rejeição afetiva.

A negligência afetiva é a falta de responsabilidade, de calor humano, de interesse para com as necessidades e manifestações da criança. Representa uma omissão para prover necessidades físicas e emocionais.

A rejeição afetiva é a manifestação de depreciação e agressividade com a criança. Pais que culpam os filhos pela sua própria infelicidade e os responsabilizam pela manutenção do casamento que já acabou; pais que expressam o quanto o nascimento da criança atrapalhou sua vida afetiva e profissional. As expressões verbais agressivas também são consideradas abusos, onde a única forma de comunicação é através de gritos, xingamentos, broncas, críticas, cobranças, gerando na criança cada vez mais os sentimentos de incapacidade e inadequação. Fale o que falar, faça o que fizer, estará sempre errada.

Pois então...  Abandono e a rejeição são sentimentos que perduram por toda a vida e influenciam principalmente a relação afetiva futura. Sabemos que existem diversas formas de agressão psicológica familiar para com a criança ou adolescente que podem causar outros efeitos graves em seu desenvolvimento psíquico, escolar e social: Transtornos de personalidade, comportamentos agressivos, dificuldades na esfera sexual, doenças psicossomáticas, transtorno de pânico, são alguns deles. As ameaças de abandono também podem tornar uma criança medrosa e ansiosa.

Além disso, conforme pesquisa bibliográfica internacional, devemos lembrar que a experiência traumática pode produzir algumas sequelas:

• O índice de psicoses é cinco vezes mais elevado que na população normal.

• A taxa de suicídios é de 16 a 23% mais elevado.

• A inserção social é muito difícil; as rupturas familiares são frequentes.

• A capacidade laboral fica muito diminuída, às vezes, até impossibilitada.

• Além do traumatismo inicial, devem ser levados em conta os efeitos agravantes produzidos pela retraumatização posterior.

• Alguns sintomas e sequelas aparecem logo depois de longos períodos aparentemente assintomáticos (20, 30 anos após...).

Portanto, cuidar de uma criança ou de um adolescente, não é tarefa simples. É de suma importância e de muitas responsabilidades. Para que se possa oferecer a saúde psíquica a um ser humano em formação, a família deve proporcionar um ambiente saudável, pautado no amor e no respeito.

Isso significa que se deve até mesmo esquecer suas próprias divergências com o cônjuge e principalmente com o ex-cônjuge, ao lidar com uma criança. Porque senão pode configurar, nesse ultimo caso, a “alienação parental”. Mas isso é assunto para outro artigo...

Fica a dica!

 

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

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