top of page

Cristina Silveira

Brincar pra quê?

Neste mês, o movimento Resgatando a Infância acompanha as orientações da rede Aliança pela Infância, do qual é representante oficial em BH, realizando o dia do BRINCAR. Outras manifestações foram realizadas na cidade sobre o tema, o que o torna tão importante e passível de uma reflexão psicanalítica e psicopedagógica. 

O brincar, além de um direito da criança previsto em Lei, é uma condição essencial para o seu desenvolvimento psíquico. Através do brincar, ela pode desenvolver capacidades importantes como a atenção, a memória, a imitação e a imaginação. Ao brincar, as crianças exploram e refletem sobre a realidade e a cultura na qual estão inseridas, interiorizando-as e, ao mesmo tempo, questionando regras e papéis sociais. O brincar potencializa o desenvolvimento, já que assim se aprende a conhecer, a fazer, a conviver e, sobretudo, a ser. Além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, o brincar proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção.
Esse desenvolvimento promovido a partir da brincadeira se dá desde os primeiros anos de vida, quando a criança está no berço e explora o mundo através dos brinquedinhos. A partir de 1 ano, quando uma criança brinca de tirar e colocar brinquedos em uma caixa, ela está exercitando a sua liberdade de escolha, se organizando quando escolhe o que tira e o que coloca, desenvolvendo os movimentos, o corpo, a linguagem e a forma de pensar. Aos 2 anos, inicia-se a fase do imaginário, quando a criança começa a imitar a ação dos outros e, com isso, passa a interagir com o mundo à sua volta, ou seja, com a sua cultura. A partir dos 3 anos, os brinquedos são uma ferramenta essencial para que as crianças possam falar aquilo que pensam, através do faz de conta. Nessa fase, brinquedos que imitam o seu dia-a-dia, como bonecas, casinhas e carrinhos, são essenciais para esse domínio e amadurecimento da comunicação, da representação e do seu amadurecimento psíquico. Os jogos, regras e normas, são altamente importantes para a criança, que aprende a partilhar situações de ganhar e de perder, aprendendo a conviver com as suas próprias frustrações, além de desenvolver habilidades como estratégias, flexibilidade, criatividade, inventividade, capacidade de escolha e desenvolvimento do raciocínio.  Nesse raciocínio, inclui-se o matemático, do uso da linguagem e do domínio espacial. Ou seja: a brincadeira é importante para todas as áreas do conhecimento porque é brincando que a criança aprende a pensar.
É na brincadeira que a criança consegue vencer seus limites e passa a vivenciar experiências que vão além de sua idade e realidade, fazendo com que ela desenvolva sua consciência. Dessa forma, é na brincadeira que se pode propor à criança desafios e questões que a façam refletir, propor soluções e resolver problemas. Brincando, elas podem desenvolver sua imaginação, além de criar e respeitar regras de organização e convivência, que serão, no futuro, utilizadas para a compreensão da realidade. A brincadeira permite também o desenvolvimento do autoconhecimento, elevando a autoestima, propiciando o desenvolvimento físico-motor, bem como os do raciocínio e da inteligência.

Mas o brincar é aprendido. A criança precisa ter estímulo, tempo e espaço para brincar. É importante que a família e a escola proporcionem um ambiente rico para a brincadeira e estimulem a atividade lúdica nesses ambientes, fazendo com que elas explorem as diferentes linguagens que a brincadeira possibilita (musical, corporal, gestual, escrita).  Quando os pais brincam com os filhos podem ensiná-los a perder medos e a lidar com frustrações. A aproximação entre pais e filhos é fundamental para o futuro das crianças. É a melhor forma de ajudá-los a desafiar a vida e a vencer alguns obstáculos. Eles se sentem mais confiantes, pois têm a pessoa amada ao seu lado. As famílias modernas acabaram deixando a brincadeira de lado. Não há tempo. Geralmente, os pais saem de casa para o trabalho antes de seus filhos acordarem e voltam quando eles já estão dormindo. Assim, para preencher o espaço deixado por eles, há os DVDs, os jogos eletrônicos, ou mesmo a TV.

Por isso, estamos hoje fazendo essa reflexão, na verdade um apelo para que os adultos compreendam a importância do BRINCAR. Para as crianças o BRINCAR É A REALIDADE, conforme defendeu o pediatra e psicanalista infantil DW Winnicott, através de sua Teoria do Amadurecimento Humano.
Fica a dica!

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

© 2012 by Daniela Mata Machado Tavares. Todos os direitos reservados

contato@bhdameninada.com

bottom of page