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Cristina Silveira

Crianças com medo da morte: o que fazer?

De repente a cortina do quarto vira um fantasma, a roupa na cadeira é com certeza um monstro de costas e o escuro fica intolerável : é o medo!

Quase todas as crianças sentem medo de coisas e pessoas em algum momento. E, assim como acontece com a gente, alguns temores são intensos e nos deixam mais apreensivos, enquanto outros são administráveis.  O temperamento da criança e a nossa habilidade para tratar do assunto influenciam a maneira como ela lida com seus temores. Por isso, mantenha a calma !

Os bebês podem se assustar com barulhos e luz forte. Depois, por volta dos 7 ou 8 meses, podem temer pessoas, como por exemplo a nova babá ou  o pediatra. Com 3 e 4 anos, é normal a criança ter medo de insetos ou aranhas.

Mas é com a aproximação dos 5 e 6 anos que a criança atinge uma fase de desenvolvimento que lhe permite encarar a morte como algo irreversível, perdendo o seu lado fantasioso e assumindo uma vertente mais concreta, o que lhe provoca medo da sua própria morte, bem como a das suas figuras de referência, como os pais ou parentes próximos. Verifica-se aqui o medo de morte. Aí, apresenta uma associação de morte a coisas concretas, como a uma pessoa, a caixões, cemitérios, etc. Quando a criança percebe a finitude da existência, pode passar a ter cuidados excessivos com a própria vida e as vidas daqueles que a cercam.

 

É nessa fase que surgem outros medos reais, que podem ser:

 

  • Medos que aterrorizam: a criança se agita só com a ideia de ter que enfrentar a situação de risco. Dá a sensação de se sentir paralisada pelo perigo.

  • Medos que seguem a traumas: são os que se manifestam numa situação específica que a criança relaciona com uma experiência passada (por ex. um lugar fechado, após ter ficado bloqueada num elevador).

  • Medos invasores: condicionam a vida da criança e a dos pais e ainda impedem algumas atividades de rotina.

  • Medos permanentes: são os medos que não se modificam com o tempo e permanecem mesmo após o desenvolvimento da criança e resultam fora do tempo e fora do lugar. (por ex. o medo de um boneco aos 8 anos).

 

Estes medos podem se transformar em fobias, dando lugar a um estado de ansiedade que pode dificultar o desenvolvimento psicológico da criança. Quando falamos de fobias infantis, referimo-nos a medos exagerados que não apresentam mecanismos adaptativos, que aparecem ou persistem em idades inadequadas e que se repetem perante a mesma situação ou objeto. Não cedem ao desenvolvimento, são persistentes  e, sobretudo, são uma fonte de sofrimento para a criança.

 

O que fazer?

 

A promoção do diálogo entre pais e filhos é uma das melhores “ferramentas” que se pode transmitir aos filhos. Essa abertura ao diálogo, permite deixar uma “janela aberta”, o que facilitará à criança a procura dos pais (ou outras figuras de referência) quando se sentir ameaçada, ou estiver a lidar com sentimentos perante os quais sente dificuldades em lidar. Só o acto da criança falar e explicar os seus medos aos pais, serve de alívio e, além de promover uma maior aproximação entre os pais e os filhos, é um importante passo na procura conjunta de soluções para os problemas.

Não tratar as crianças como medrosas, nem deixar que se sintam culpadas para não se obter o efeito contrário. Nunca diga: “Enfrente o medo, coragem! ”, Ao empurrar a criança diante do medo, você pode transformar o medo em terror e piorar o problema.

alma e tranquilidade dos pais ao tratar o problema têm efeito muito positivo. É preciso mostrar serenidade e evitar demonstrar ansiedade ou calma excessiva, para que não assimilem sentimentos inadequados em relação ao medo.

Apesar de naturais, os temores das crianças não podem limitar o convívio social delas. Quando a criança modifica seu comportamento, se fechando no quarto, por exemplo, ou muda a rotina para fugir de algo que a apavora, é hora de procurar ajuda.

Fica a dica!  

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

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