top of page

Cristina Silveira

Dupla excepcionalidade: Asperger ou gênio?

James J. Gallagher criou a expressão “Dupla Excepcionalidade” para crianças que apresentam a superdotação associada a alguma deficiência.  Gallagher um investigador sênior do Porter Graham Instituto de Desenvolvimento da Criança na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill recebeu seu Ph.D. da Universidade Estadual da Pensilvânia e tem reconhecimento internacional por suas pesquisas nas áreas de superdotação e deficiências, entre outros temas em educação especial. É autor de inúmeros artigos científicos e monografias em Educação Especial.

 

Segundo Gallacher, as Altas Habilidades/Superdotação podem coexistir com outros diagnósticos: TDAH, Asperger ou dificuldades de aprendizagem (Dislexia, Dislalia, Discalculia, Disortografia, Disgrafia). Por isso, algumas crianças com altas habilidades /superdotação podem ser erroneamente diagnosticadas por causa de comportamentos que são típicos de outras condições humanas:

 

TIPOS DE DUPLA EXCEPCIONALDADE:

 

• Altas Habilidades/Superdotação com Deficiência Física

• Altas Habilidades/Superdotação com Deficiências Sensoriais

• Altas Habilidades/Superdotação com Transtorno de Asperger

• Altas Habilidades/Superdotação Transtornos Emocionais e/ou Comportamental

• Altas Habilidades/Superdotação com TDAH

• Altas Habilidades/Superdotação com Dificuldades de Aprendizagem (Dislexia, Discalculia, Disgrafia, etc.)

 

Segundo o especialista, os procedimentos de identificação da DUPLA EXCEPCIONALIDADE são complexos e devem considerar a avaliação de ambas as condições humanas: as altas habilidades/superdotação e a área da evidente dificuldade. Vários especialistas na área da educação dos superdotados têm feito anotações sobre a identificação da DUPLA EXCEPCIONALIDADE. Para tal, deve ser utilizado múltiplas fontes de dados para a programação identificação de talentoso: Testes de inteligência e desempenho, relatórios de professores, testes pedagógicos, entrevistas de criatividade dos alunos, a auto-referência, material escolar (portfólio), e anamnese com familiares, além da referência de pares (amigos), se possível, dentre outras.

 

E o que nos interessa hoje, nessa coluna, é a combinação da superdotação com o transtorno de Asperger, ou seja, uma dupla excepcionalidade.  

 

É importante não confundir essa combinação. Apenas profissionais - psicólogo, psicopedagogo e/ou médico - podem fazer os diagnósticos e acompanhamentos corretos. No caso dessa dupla excepcionalidade, a inclusão escolar ganha novos contornos, e os pais devem envolver a escola nessa questão. E essa por sua vez, deve ter conhecimentos básicos sobre o assunto, senão solicitar aos técnicos da criança ou adolescente, apoio constante.

 

Então vamos às possíveis diferenças. Além do resultado dos testes de inteligência, é importante observar algumas diferenças, tais como:

l) Os superdotados são isolados socialmente, mas não possuem inabilidade social, ou seja, possuem habilidade social e quando desejam, sabem lidar bem socialmente.  Já os Aspergers tem uma inaptidão social. Em alguns casos, não sabem se comportar em sociedade.

2) O mesmo acontece com os pares de idade. Os superdotados  podem ter uma relação independente dos pares de idade, por questões de interesses e desejos diferenciados. Já os Aspergers  são inábeis na relação com os pares de idade. Ás vezes não sabem  mesmo lidar com seus amigos, não sabem o que falar, como agir, o que fazer, mesmo quando querem estar junto a eles.

3) O Vocabulário dos superdotados é avançado e sofisticado, mas não apresentam, em tese, nenhuma dificuldade na linguagem.  Os Aspergers  possuem a  Hiperlexia. As principais caraterísticas da Hiperlexia são a capacidade precoce para leitura, dificuldade no processamento da linguagem oral e um comportamento social atípico. Portanto, existem diferenças pontuais entre ambos.

4) Os superdotados possuem uma “compreensão avançada”   em vários segmentos e situações sociais. Os Aspergers, possuem diferentemente uma “ memorização avançada” , com uma compreensão relativamente pobre.

5) Os Superdotados possuem uma organização Interesses variados, o que  pode comprometer a sua organização. Os aspergers possuem déficits no processamento do pensamento, o que  pode comprometer a sua organização.

6) Pode ocorrer o isolamento social, porque pode não ter necessidade  de possuir muitos amigos. Ao contrário dos Aspergers, que são vítimas do Isolamento social devido à falta de talento social.

Foram pontuadas aqui, apenas algumas das muitas diferenças entre essas duas excepcionalidades. Algumas são muito parecidas e de difícil diferenciação. Por isso, mais uma vez, pontuo a necessidade da avaliação de profissionais competentes, que possuem conhecimento e poderão identificar a dupla excepcionalidade da criança ou adolescente. E mesmo assim, em alguns casos, é necessário a avaliação de uma equipe multidisciplinar.

O que é fato nesses casos, além do acompanhamento imprescindível do terapeuta e do psicopedagogo é o assessoramento às escolas, que devem ser realizado de forma especial, constante, e às vezes com enriquecimento de currículo, já que a criança possui essa dupla excepcionalidade.

Se você percebeu alguns desses sintomas em seus filhos, procure ajuda de um técnico para a avaliação do caso!

Fica a dica! 

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

© 2012 by Daniela Mata Machado Tavares. Todos os direitos reservados

contato@bhdameninada.com

bottom of page