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Regina Helena Alves Silva

Que a nossa cidade seja mais da meninada!

Chegou a hora de todo mundo dizer outra vez o que se diz todo fim de ano. Fiquei aqui pensando no que dizer. Todo ano, nesta época, ficamos pensando no que queremos para o próximo ano, para o futuro.
 
Neste ano, temos filhos. Eles chegaram no ano passado, mas o susto ainda era grande... Agora já acomodamos, já somos uma família. Então, pensar no que se quer para o futuro fica bastante diferente.
 
Antes deles chegarem, eu queria as coisas bobas de sempre: paz, sossego, mais grana, pelo menos uma viagem pro exterior, vender um apartamento pra comprar outro, enfim... Tudo o que o admirável mundo novo brasileiro nos possibilita em tempos de vacas, só vacas, que nem precisam ser gordas... Já que antes elas não existiam para a classe média.
 
Hoje quero outras coisas.
 
Que o horizonte da minha cidade volte a ser belo, longo, azul (um dia quando a gente começou a namorar, eu disse à Sílvia - que é paulista - que as montanhas mineiras eram azuis; ela nunca conseguiu vê-las assim, mas eu continuo insistindo)
 
Que nossa cidade seja mais da meninada.
 
Que as coisas sejam mais calmas.
 
Que haja mais silêncio.
 
Que o tempo tenha mais densidade e corra mais lento no mesmo espaço de tempo.
 
Que o trabalho não seja o tempo todo e que o tempo não seja trabalho.
 
Que o mundo não seja tão chato, intolerante e babaca.
 
Que venham mais viagens e mais prazeres, sem culpas cristãs por amarmos o ócio (sem ser o tal ócio criativo de Domenico di Massi).
 
Que a vida seja mais leve.
 
Que o mundo seja brincadeira, dessas que meus filhos inventam todos os dias com pequenos objetos simples, mas que se tornam tudo o que é necessário.
 
Entretanto, confesso que joguei na MegaSena da Virada, e não me perguntem o que vou fazer com todo aquele dinheiro se ganhar. Não sei, não tenho a menor ideia...
 
 
 

Regina Helena Alves Silva é professora da UFMG. Graduada em História e Ciências Sociais, com mestrado em Ciência Política e doutorado em História Social. Coordenadora do Centro de Convergência de Novas Mídias-UFMG, atua nas áreas de história social da cultura, comunicação e práticas sociais, novas tecnologias e cultura digital, culturas urbanas e formas de participação social. Atualmente, é mãe em tempo quase integral de Pedro e Maria Eduarda.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

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