Cristina Silveira
Jogos eletrônicos e internet
Segundo uma pesquisa realizada pelas universidades de Swansea, no Reino Unido e Milão, na Itália, as pessoas viciadas em internet, podem apresentar sintomas de abstinência quando o acesso à rede fica restrito, exatamente como acontece com alguns dependentes químicos. Segundo os pesquisadores, a abstinência aumenta o nível de ansiedade e humor da pessoa, que apresentam irritação e sentimentos depressivos.
No Brasil, estudos mostram que 10% dos usuários são dependentes, o que corresponde a 8 milhões de pessoas, segundo o coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do hospital das Clinicas de São Paulo. Contudo, apesar de não ser reconhecida oficialmente como doença, essa dependência já preocupa os profissionais de saúde. O novo volume do Manual Diagnóstico e Estatísticos de transtornos mentais psiquiátricos americano, que é referencia na área, já incluiu o transtorno em seu apêndice.
Atualmente, os jogos eletrônicos são considerados um dos modelos lúdicos mais presentes no cotidiano de crianças, adolescentes e adultos jovens de todo o mundo. Nesse ambiente, em meio a televisores, filmes, jogos eletrônicos, aparelhos celulares e computadores, tais artefatos acabaram por assumir um papel importante no cotidiano da sociedade e o impacto causado na construção de pensamentos e comportamentos dos indivíduos é notável. Apesar dos diversos benefícios na prática dos jogos eletrônicos, apenas recentemente esse universo passou a ser estudado por outro viés: o do adoecimento psíquico.
Usuários com a autoestima comprometida podem estar com maior risco de desenvolver a dependência de jogos eletronicos. Isso pode ser devido ao fato de a internet (e jogos on-line com possibilidade de conversação) possibilitar oportunidades de comunicação com menor risco de rejeição, comparado aos encontros face a face. Vale salientar que o tempo gasto na internet para aqueles que apresentam dependência, normalmente é utilizado, além dos jogos, para sites de relacionamentos ou programas de bate-papo.
Autores comentam que é possível o jogador desenvolver comportamentos violentos ou impulsivos, mesmo quando o usuário não esteja diante de um jogo com características de violência explícita. Isso se deve, principalmente, àqueles que jogam de forma excessiva, já caracterizando aspectos de dependência. Tais jogadores podem, além disso, sofrer de ataques de epilepsia, dado esse que chama a atenção dos neurologistas.
Outra influência negativa direta da dependência de jogos eletrônicos ou de seu uso excessivo foi confirmada em um estudo em Singapura. Crianças de 8 a 12 anos que utilizavam jogos eletrônicos com alta frequência apresentaram notas baixas, revelando dificuldades escolares. Alguns jogadores confessaram que consideram que a vida seria frustrante ou com poucas emoções sem o mundo virtual. Há uma possibilidade de que a sensação de fluxo (do inglês, flow) que o jogador experimenta, contribui para essa conexão tão íntima com os jogos eletrônicos. Durante esse estado de fluxo o jogador não consegue mais prestar atenção em nenhuma outra necessidade, incluindo dor, sono, fome e/ou sede. O usuário distorce a percepção de tempo e interromper essa atividade normalmente resulta em conflitos entre o jogador e as figuras sociais, ou seja, os pais ou responsáveis.
Portanto, fiquem atentos aos sinais :
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Preocupação excessiva com a internet;
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Necessidade de aumentar o tempo online para ter a mesma satisfação;
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Irritabilidade ou depressão;
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Alterações emocionais quando é restringido;
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Fica mais tempo conectado do que o programado;
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Deixa que a internet atrapalhe as relações sociais;
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Mente sobre a quantidade de horas conectado.
Se esses sinais estiverem presentes, procure ajuda!
Fica a dica!

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,
especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.
* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.
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