Cristina Silveira
Menos é mais
Podemos fazer mais, fazendo menos? Será?
Claro! Essa ideia contemporânea de que temos que estar superocupados com 99,9 % do nosso tempo é falsa, além É CLARO, de nos tirar a qualidade de vida e consequentemente a nossa saúde.
Mas, como fazer isso?
Podemos começar observando o que nós fazemos que não tem sentido algum, que é apenas perda de tempo. Descobrindo o que é perda de tempo, estaremos fazendo menos. Assim, teremos mais tempo para fazer mais o que realmente importa.
A primeira coisa a ser feita é priorizar as ações. O que realmente necessita ser feito? Você precisa checar seu e-mail, Facebook e Instagram de cinco em 5 minutos? Você precisa realmente trabalhar tanto? Você precisa realmente comprar tudo o que pensa que necessita? Essas escolhas são fundamentais para o seu bem estar, sua saúde psíquica, física e, claro, para a saúde da sua família também. Mas, para isso, é necessário controlar a ansiedade, se conhecer bem e ter a coragem de banir de sua vida tudo o que é desnecessário.
Uma pesquisa recente, publicada na revista científica Neuron, mostra que ocorre um "engarrafamento" no cérebro, quando as pessoas tentam realizar duas tarefas simultaneamente. De acordo com os cientistas da Universidade Vanderbilt (EUA) que realizaram o estudo, a atividade cerebral fica mais lenta quando se tenta executar uma segunda tarefa menos de 300 milésimos de segundo depois da primeira. Mas quando as tarefas são realizadas com um segundo de intervalo, não há problema.
Um segundo parece muito pouco, mas quando nossas ações tornam-se simultâneas causa este efeito conhecido como "interferência da tarefa dupla": a atividade neurológica faz uma 'fila' onde a resposta neurológica à segunda tarefa é adiada até que a resposta à primeira seja completada. Ou seja, quando fazemos mais de uma tarefa ao mesmo tempo iremos precisar de mais tempo para realizar cada tarefa! Apesar de aparentemente estarmos ganhando tempo ao fazer tarefas simultâneas, estamos perdendo tempo, eficiência e precisão.
Temos que admitir: nosso cérebro foi concebido para trabalhar com o máximo de eficiência quando se dedica a uma única tarefa e durante períodos de tempo contínuos.
O ritmo atual de nossa sociedade já está muito acelerado para ser controlado. Por isso, cabe a cada um de nós saber quando e como não cair nesta rede de eventos simultâneos.
A grande questão é optar pelo simples. Depois que você priorizar o que é necessário para sua sobrevivência, lazer e saúde, observe quais são as ações imprescindíveis para suprir estas necessidades. Ou seja, invista o seu tempo naquilo que realmente facilitará a realização de seus objetivos definidos.
Vou dar alguns exemplos pessoais que foram descritos pela primeira vez por um economista italiano do século XIX chamado Vilfredo Pareto, e que, depois ficou conhecido como A Lei de Pareto ou Distribuição de Pareto. A lei é bem simples e pode ser pensada como 80/20. O que Pareto observou foi que em sua plantação de peras, 80% das peras que eram colhidas eram produzidas por apenas 20% das pereiras. Ou seja, quase a totalidade dos resultados da plantação eram obtidos por apenas 20%. Portanto, com apenas 20% dos esforços, conseguia-se 80% de resultados. Você já pensou em trazer essa equação para a sua vida?
Por exemplo, o que fazer para aproveitar melhor os 20% e minimizar os 80 %%?
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Se seu desejo é realmente ficar mais tempo com os seus filhos, o que você deve fazer com a organização da sua agenda, de seus compromissos, de seu consumo, para alcançar esse objetivo?
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Se realizar um levantamento de sua renda, você pode notar que a Lei de Pareto faz todo o sentido. 20% do esforço geram 80% de renda. Devemos aproveitar melhor os trabalhos mais inteligentes e produtivos. Se seu desejo é fazer uma viagem para o exterior, você está pronto para diminuir os gastos, poupar e viver de uma forma mais simples?
Enfim, viver na simplicidade é algo muito benéfico, diga-se de passagem. Aqui se trata antes de tudo de uma escolha: como queremos nos relacionar conosco mesmos, com as pessoas e nosso meio ambiente. Queremos agir a favor ou contra nosso fluxo de vida? Compreender o nosso ritmo e respeitar a nossa serenidade, pode nos conduzir a outro lugar: onde mora o nosso verdadeiro ser, onde reside todo o SENTIDO de viver.
Fica a dica!

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,
especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.
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