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Cristina Silveira

O que querem nossas crianças?

Vem aí mais um Dia das Crianças... Como sempre, diversas campanhas publicitárias disputam os horários nobres da televisão, bombardeando os pequenos com produtos infantis, tentando lhes mostrar como são ítens “imprescindíveis” em suas vidas e como irão fazê-las muito mais felizes!  Todo o comércio comemora, os shoppings ficam cheios de gente  correndo para todo lado, tentando assegurar  um presente caro ou uma “lembrançinha” para as crianças.

 

As escolas decretam um recesso imenso para celebrar a Semana da Criança  e, de quebra, o Dia do Professor, aquele profissional que cuida de nossos filhos diariamente,  e que anda com baixíssima auto-estima, desvalorizado e mal pago.

 

Feriado, corre-corre, festinhas nas escolas, shoppings lotados, todo mundo “falando” de crianças... Pois bem, e as crianças? Onde elas estão em meio a tantas comemorações?

 

Ah... As crianças? Estão solitárias em seus quartos, invadidas pelas novas tecnologias, que as convocam permanentemente a se ausentarem das relações interpessoais e das brincadeiras criativas. Com isso, acabam, de certa forma, trocando relações com “pessoas” por jogos e computadores. Estão tristonhas, muitas vezes apáticas e, ao chegarem à escola, estão enfrentando dificuldades para se relacionar com os amigos. Não porque não queiram se aproximar, mas porque não sabem como fazê-lo. Estão inseguras e imaturas porque faltam-lhe modelos parentais, espelhos, nos quais possam se mirar para enfrentar seus medos e adentrar no mundo social.

 

Estão privadas de ir à rua porque “é perigoso”. Tampouco,  têm a possibilidade e as condições para construir seus próprios brinquedos. A maioria deles já se compra pronto, o que causa desinteresse em curto espaço de tempo. E os preferidos são jogos violentos, que tenham bastante matança, já que não há outros objetos nos quais essas crianças possam investir a sua agressividade de forma mais saudável.

 

Estão carregando agendas de adultos, em que não se encontram horários para vivenciar o momento mais lindo das suas vidas: a infância.  Usam saltos altos, batons, sutiãs com enchimentos. Ganham vales-silicone em seus aniversários  e tomam refrigerante em garrafinhas em formato de champanhe.

 

Estão sendo massacradas por  um consumismo desenfreado, pelo abandono psíquico, se dedicando cada vez mais ao desenvolvimento cognitivo, tornando-se “mentes brilhantes”, que irão sobressair-se nas provas de ENEM, nos vestibulares mais concorridos, verdadeiros profissionais de sucesso!  Mas com pobreza de valores!

 

Estão completamente sem limites, porque a “ pedagogia moderna”  e a fragilidade de alguns pais, os  impedem de receberem essa prova de amor, atrasando a sua maturidade.

 

Estão usando drogas e tendo experiências sexuais cada dia mais cedo, estão “ficando” porque a colega também “ficou”. Pedindo e GANHANDO festas no valor de um automóvel ou de um pequeno apartamento! E então?  Do que falávamos mesmo? Ah, sim !  Do  maravilhoso Dia das Crianças...  

 

Espero, sinceramente,  que, neste dia de comemorações, possamos fazer uma reflexão sobre o que realmente estamos comemorando... E o que deveríamos estar fazendo DE FATO pelas nossas crianças?  Devíamos refletir sobre como resgatar, de alguma forma, vivências simples e lúdicas, e de como isso seria a melhor formade aplacar um sistema que funciona ininterruptamente, convocando as crianças para entrar em um “jogo” de convivências superficiais e descartáveis que nos convidam ao anonimato e não à construção de sujeitos e cidadãos.

 

Fica a dica !

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,

especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.

* Este é um artigo autoral, que reflete as opiniões do colunista e não do veículo. O website BH DA MENINADA não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações, conceitos ou opiniões do (a) autor (a) ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso das informações contidas no artigo.

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