Cristina Silveira
Afinal, o que é mesmo TDAH?
Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e, frequentemente, acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Situações ambientais negativas podem agravá-lo, mas não causá-lo.
Análise e diagnóstico
Em minha experiência clínica, o que observamos é que em alguns casos, o TDAH pode estar associado à outras comorbidades como os transtornos ansiosos, Transtorno Opositivo Desafiador- TOC, Bipolaridade, ou mesmo à síndrome de Asperger, do grupo do autismo, onde as crianças são muito inteligentes em algumas áreas e com prejuízo severo nas relações sociais e de execução. Para uma avaliação e diagnostico, o mais indicado é procurar um profissional experiente e ainda assim, às vezes, apenas o exame clinico pode não ser suficiente para fechar esse diagnóstico. Em muitos casos são solicitados testes psicodiagnósticos e psicopedagógicos, dentre outros, para alicerçar e clarear o diagnóstico e a conduta terapêutica a ser adotada em cada caso.
O que é psicodiagnóstico?
Trata-se de um processo científico que envolve o uso de testes psicológicos e tem como objetivo realizar uma avaliação completa de aspectos cognitivos e
afeto-emocionais de indivíduos. Por exemplo, dependendo dos resultados dos testes, saberemos quais as condutas terapêuticas e psicopedagógicas mais indicadas para cada criança ou adolescente, evitando-se assim a perda de tempo, de dinheiro, além de possibilitar excelentes resultados. Para o caso de TDAH, o tratamento pode multimodal e pode ser medicamentoso, psicoterápico, fonoaudiológico ou psicopedagógico.
Além dos tratamentos clínicos, o que mais deve ser feito?
Feito o diagnóstico que uma criança é TDAH e após os encaminhamentos para os tratamentos clínicos devidos, devemos saber que essas crianças e adolescentes podem apresentar dificuldades de aprendizagem. As dificuldades de aprendizagem são: Dislexia: dificuldades de leitura, escrita (ou soletração) e Discalculia: inabilidades matemáticas.
Nesse caso, devemos saber que pode ser necessário procedermos à inclusão escolar. Portadores de TDAH podem necessitar de um espaço separado ou tempo maior para realizar suas avaliações escolares. Esse aluno pode demorar de três a quatro vezes mais para fazer suas tarefas, pode ser necessário fazer adequações para que a quantidade de trabalho não exceda seu limite e deve-se ter em mente que a lição de casa tem por objetivo revisar e praticar o que foi aprendido em sala. Algumas ações escolares devem ser implementadas, saiba quais:
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Evitar testes cronometrados;
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O professor deve manter uma rotina de trabalho o mais constante e previsível possível. Quando for necessária qualquer mudança nessa rotina o aluno deve ser avisado, pois crianças com TDAH necessitam de ambiente muito bem estruturado para não se perder.
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O professor deve dividir as tarefas, em várias pequenas tarefas. Elas não conseguem prender a tensão por longo tempo em uma mesma atividade, perdem o estímulo e acabam por não terminar.
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Os recursos de ensino devem ser variados, porque geralmente aprendem melhor quando tem a oportunidade de visualizar, ler em voz alta por exemplo é um bom recursos.
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O reforço positivo do comportamento, como elogios ou recompensas, é a base da redução do comportamento hiperativo e/ou impulsivo.
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Em alguns momentos essas crianças, por estarem tão hiperativas, necessitam se organizar internamente. Uma boa estratégia, é permitir que saia de sala por alguns minutos para essa organização.
Contudo, algumas escolas não estão preparadas ou não se interessam em apresentar metodologias, adaptações e flexibilização em seus currículuns para lidarem com essas dificuldades. Mas tudo isso é um direito garantido em Lei. A LDB, Lei de Diretrizes Básicas da Educação, nº 9.394/96 em seu Capítulo V, artigo 58, garante ao aluno especial todos os métodos necessários para a sua devida inclusão em ambiente escolar. Além disso, está em tramitação o Projeto de Lei Federal nº 7081/2010, que visa implantar um programa na Rede de Ensino Brasileira, de acompanhamento para crianças e jovens portadores de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia, .auxiliando os portadores de TDAH um melhor aproveitamento nos estudos. As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento às crianças com necessidades educativas especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos (MEC/SEESP, 2001).” Cabe às famílias se informarem e exigirem da escola os direitos dos seus filhos.
A participação da família é importantíssima e deve ser continuada. Na prática, o que devem fazer?
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Reforçar o que há de melhor na criança, não estabelecendo comparações entre os filhos. Cada criança apresenta um comportamento intrínseco diante da mesma situação.
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Procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo, procurando aprender a controlar a própria impaciência.
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Estabeleçer regras e limites dentro de casa, mas tenha atenção para obedecer-lhes também. Use um sistema de reforço imediato para todo bom comportamento da criança.
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Não cobre resultados, cobre empenho. Mas não se esqueça de elogiar! O estímulo nunca é demais. A criança precisa ver que seus esforços em vencer a desatenção, controlar a ansiedade está sendo reconhecido.
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Use uma linguagem clara e direta, de preferência falando de frente e olhando nos olhos.
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Mantenha o ambiente doméstico o mais harmônico e o mais organizado quanto possível, reservando um espaço arejado e bem iluminado para a realização da lição de casa. Se esse espaço for no quarto, deve estar limpo, organizado e sem estímulos como muitos brinquedos, posters, etc . Intercale um tempo entre uma atividade e outra.
É fato que famílias bem informadas e orientadas por profissionais são de suma importância, porque pais orientados e bem informados costumam contribuir muito para o tratamento e a minimização dos sintomas da criança.
Fica a dica !

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,
especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.
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