Cristina Silveira
Será que palmada educa?
Segundo estudo dos cientistas canadenses Ron Ensom e Joan Durrant, da Universidade de Manitoba e do Hospital Infantil de Eastern Ontario, nenhuma punição física tem efeito positivo – a maior parte tem, na verdade, efeitos negativos. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram 36 mil pessoas durante 20 anos e foi publicada no periódico científico CMAJ - Canadian Medical Association Journal .
Os resultados sugerem que a punição física em crianças está associada ao aumento dos níveis de agressão infantil, além de não ser mais efetivo em estimular a obediência quando comparado a outros métodos. Além disso, a punição física durante a infância está associada a problemas de comportamento na vida adulta, incluindo depressão, tristeza, ansiedade, sentimentos de melancolia, uso de drogas e álcool, e desajuste psicológico geral.
Palmada não educa ninguém. Tem até Lei (Lei 2.654/03), denominada a Lei da Palmada, visa garantir o direito de uma criança ou jovem de ser educado sem o uso de castigos corporais.
Diante disso, o que se deve fazer? Buscar novas estratégias de educar, que usem o amor. Quando se bate em crianças e adolescentes, a pessoa acaba por assumir a sua própria violência. Uma criança que apanha não é uma criança que aprende, é no mínimo, uma criança com medo, assustada. Os pais devem conscientizar-se que educar sem bater é verdadeiramente possível. Muitos pais e mães conseguem driblar o sentimento de impotência e transformá-lo em educação ativa, não opressora, respeitosa e afetuosa, que exclui verdadeiramente a violência como ferramenta.
Então, como ensinar as crianças? O que fazer?
Aqui vão algumas dicas:
As crianças aprendem e internalizam as atitudes de seus “ modelos” , através de exemplos. E quem são os seus modelos? Os pais, familiares, professores... então, se os pais batem, gritam e agridem, as crianças farão o mesmo, se tornando adolescentes e adultos agressivos.Ou seja, o exemplo é uma ferramenta poderosa na educação. Portanto, seja um bom exemplo para a criança. Essa é a primeira lição!
Usar um tom de voz calmo e firme, sem gritos e ameaças, optando por intervenções positivas, ao invés de reforçar a violência e a negação costumam funcionar com sucesso. Ao invés de falar: “ Você NÃO vai comer doce agora!” , diga: “ Você pode comer doce depois do almoço!” . Consertar o que quebrou, limpar o que sujou, pedir desculpas. Encorajar a criança e acompanhá-la nas reparações dos seus erros é muito importante. Esse é o efeito de causa-consequência.
Usar reforços positivos, elogiando sempre que a criança tem uma atitude positiva,como por exemplo: Quando ajuda nos afazeres de casa, protege o irmão mais novo, tem uma atitude de solidariedade e gentileza com o próximo.
Entender porque a criança está apresentando um mau comportamento é muito importante. Ela pode estar cansada, com fome, com necessidades não atendidas, ou mesmo estar dando sinais de que está sofrendo stress devido a alguma emoção intensa, como o bulliyng. Por isso é importantíssimo identificar o motivo dessa birra, antes de aplicar um “ corretivo”. Às vezes, tal atitude p0ode piorar o seu comportamento.
A agressão psicológica é tão grave quanto a agressão física. As palavras podem marcar para sempre! E, como a criança aprende com os seus modelos, isso pode trazer graves consequências em suas vidas, como baixa auto-estima, sentimentos de incapacidade, tristeza, e depressão. Medir as palavras, conter os gritos, são altamente necessários nesse processo. Criança que sofre esse tipo de violência passa a questionar seu valor, a se achar incapaz de ser amada. Ela não entende como aquela pessoa que deveria amá-la pode dizer aquelas coisas pra ela, ou ameaçá-la, ou tratá-la com desprezo, ou humilhá-la, ou privá-la de amor. Na verdade, isso NÃO é prova de amor!
Portanto, pense nisso, sempre: “Criar com amor nos ajuda, também, a ressignificar experiências anteriores. Faz bem às gerações futuras. Aproxima as atuais. Concilia as gerações passadas.”
Fica a dica !

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,
especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.
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