Cristina Silveira
Papai diz sim, mamãe diz não
Em uma de minhas palestras na semana passada, em que falei sobre “Limites”, foram feitas muitas perguntas sobre o que fazer se o pai e a mãe não comungam da mesma opinião na hora de educar os filhos.
Esse assunto é muito importante. Importantíssimo! Porque se os pais não entrarem num acordo a respeito de limites dados ao filho, essa atitude pode trazer desconforto, angustia e confusão na cabecinha dos pequenos.
A criança pode entender que o melhor seria fazer o jogo. Ou seja, se o papai disse o SIM, ela vai para o lado do pai. Mas se foi a mamãe que disse o SIM, ela vai para o lado da mãe. Essa atitude não trará nenhum benefício para a criança, que não será educada de forma a respeitar os limites e não aprenderá nada com esse jogo. Vai é fazer uma grande confusão! O ideal é que o casal dialogue sempre sobre a posição de cada um em relação à educação dos filhos e não discutam isso na frente das crianças. NUNCA!
O “NÃO” deve ser “não” e o “SIM” deve ser sempre “sim”, combinado e apoiado entre os pais. Dessa forma, possibilita um ambiente saudável e seguro, para a criação dos seus filhos
O mesmo acontece com os casais separados. Alguns pais desconhecem as consequências que esse tipo de conflito pode gerar na educação das crianças. É de suma importância que o casal tenha respeito mútuo. Mas, o que acontece em muitos casos, é uma agressividade passiva entre os pais, que acabam por afetar as crianças. Aparentemente amigos e civilizados, porém de forma consciente ou inconsciente, competem pelo amor do filho. Dando mais coisas que o outro dá, fazendo mais vontades que o outro faz. Sempre atento ao que o outro faz, para fazer melhor ou maior. Sendo mais permissivos, dizendo mais vezes sim e menos não. Por consequência, não existe uma educação “saudável”, pois não existe coerência entre ambos. Até que chega o ponto que o filho percebe essa competição e também se aproveita dele. Ou seja, pior para a criança, que convive num ambiente de disputas e desarmonia na educação, mesmo após a separação.
Resultados? Crianças e adolescentes com baixa autoestima, insucesso escolar, pouca sociabilidade, vítima de bulling, ou podem desenvolver algum transtorno psicológico. Podem possuir maior instabilidade emocional, maior ansiedade, baixa tolerância à frustração, tendência para a depressão, etc. Os pais devem lembra-se sempre: Se os seus filhos crescem num determinado ambiente, vão ter tendências inconscientes de recriar o mesmo ambiente, seja este bom ou mau.
Portanto, cuidado com as diretrizes divergentes sobre a educação dos filhos. O ideal é dialogar e realizar combinados entre os pais, para que a educação das crianças se de forma saudável.
FICA A DICA!

Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora,
especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância.
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